O MARROM DE LUANG PRABANG

Luang Prabang é um das cidades turísticas mais movimentadas do Laos. Um lugar bonitinho, com resquícios da arquitetura e da comida francesa, já que o país foi colônia no século XIX e XX. Cruzam por ela dois rios importantes: o Mekong e o Nam Khan. A cor dos rios dá ainda mais personalidade pra cidade que tem, também, as ruas marrons, como se a poeira e o barro dominassem todos as superfícies.

Chegamos em clima de festa, já contamos aqui, e nossos dias foram diferentes por conta disso.

A cidade comemorava 20 anos do título de Patrimônio Cultural da Unesco. Na praça central aconteceram algumas apresentações típicas, teve caravana de elefantes e vimos até o presidente no encerramento.

Ao mesmo tempo acontecia o festival de cinema que a gente aproveitou bastante. Vimos filmes da Malásia, Camboja e do Laos. Fizemos alguns workshops e conhecemos pessoas com trabalhos bem diferentes, gente que trabalha muito pra fomentar a cultura local no Sudeste Asiático. Numa conversa com um dos organizadores do Festival percebemos a importância de um evento como esse. O povo do Laos não vai ao cinema. Em todo o país, em seu auge, existiram só 17 cinemas espalhados nas maiores cidades. Então ver um filme representando o próprio povo, com histórias atuais, na língua local, em tela grande e de graça é incrível, é super divertido. Foi bem importante pra gente poder presenciar isso.

Apesar de não termos idos em todos os templos e pontos turísticos mais famosos andamos muito pela cidade. E esse é sempre nosso programa preferido.

A rua principal, onde ficam muitos tuktuks e barracas de sanduíches, vira uma grande feira de rua todas as noites. Os vendedores espalham seus produtos no chão e é preciso tomar cuidado por onde anda. O que mais nos chamou atenção foram braceletes, talheres e abridores de lata feito com as bombas que foram jogadas no país. O Laos é o país mais bombardeado per capta do mundo!

Cruzamos o rio Mekong pra conhecer uma vila de uma tribo local. Onde vimos mulheres produzindo um papel artesanal lindíssimo, com folhas e flores. Um processo demorado e manual, cada uma delas numa atividade diferente. Riam e conversavam, trabalhando tranquilamente. Mais pra frente outra mulher fazendo um tear com infinitos fios. Também muito calmamente, enquanto ria conversando com a mãe que cuidava das crianças.

Tem lugar que o tempo passa de um jeito diferente.

 

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