SOBRE ESTAR ABERTO A SURPRESAS

Antes dessa viagem, especialmente em viagens curtas, eu sempre fiz mapas e roteiros. Organizava o que queria ver e fazer pelas regiões de cada cidade, assim os passeios faziam mais sentidos e não deixava quase nada pra trás. Claro que sempre tinha espaço pro desconhecido, pros passeios sem rumo. Mas a minha lógica era que estando pouco tempo num lugar que tem muito pra me oferecer eu precisava ser certeira e eficiente. Tenho essa mania de organização e nas viagens não tinha porque ser diferente.

Assim que a começamos a viajar juntos temos um ritmo diferente. Sem pressa a gente descobre os melhores lugares da maneira que a gente mais gosta, que mais tem a ver com a gente. Desde o começo planejamos muito pouco, mas muito pouco mesmo. Não ficamos procurando as melhores épocas para estar em cada lugar, as vezes fazemos caminho que não fazem tanto sentido e é difícil quando temos certeza do nosso próximo destino.

Alguns vão dizer que planejamento é fator decisivo pra uma viagem como essas. Pra gente, não é. Então funciona assim também. Hoje a gente não vasculha tudo sobre o próximo destino, nem muitas fotos mais a gente vê da próxima cidade.

A verdade é que isso não é uma maravilha. Sabemos que as vezes pagamos passagens de avião mais caras do que deveríamos ou que não vamos conseguir ninguém no couchsurfing pra nos hospedar amanhã. Mas a gente tem se divertido com a sorte / acaso / coincidência.

Chegamos em Luang Prabang, cidade do Laos, faz dois dias. A vinda foi difícil, foram muitas horas num micro-ônibus a 30km/h, onde nem as minhas pernas cabiam de tão apertado. A estrada não tem asfalto e a quantidade de curvas se aproxima ao infinito. Quando chegamos, sem lugar pra ficar porque as vezes nem isso a gente planeja, encontramos pousadas cheias e hotéis caros. Demorou encontrar um lugar que a gente pudesse pagar e, como já era tarde, tomamos banho gelado porque ninguém mais conseguia nos ajudar.

Poderia ser uma tragédia se não fosse a comemoração de 20 anos que a cidade foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Então chegamos numa cidadezinha super bonita e que parece que parou no tempo cheia de coisas pra fazer. Desde que estamos aqui já vimos vários filmes produzidos no sudeste asiático, já fui numa conversa com um americano que tem um projeto fotográfico com cinemas de rua super parecido com minhas pesquisas, já fomos em workshop de produção cinematográfica e em algumas performances sem graça. Amanhã nos esperam 20 elefantes que acabaram de chegar de uma caravana pra preservação da espécie. E nada disso estava nos nossos planos.

Deixar de pesquisar sobre todos os detalhes do próximo destino, além de me deixar mais relaxada, me faz encontrar o desconhecido, me faz ver pela primeira vez os lugares que visito. Pode ser uma cidadezinha nova perto de onde você está, um restaurante que um local diz pra você ir ou a comida que ele sugere você comer, pode ser aquela fruta que você não faz ideia do que é, aquela portinha que você ficou curioso e entrou. Deixar espaço para as surpresas durante uma viagem pode sempre trazer experiências divertidas.

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PELAS RUAS DE BANGKOK

Demoramos 3 meses pra chegar à cidade que começaríamos a viagem. Dia 10 de novembro pousamos em Bangkok, capital da Tailândia e uma das mais importantes e malucas cidades do sudeste asiático. A gente vinha de uma temporada de cidades mais pequenas e tranquilas, praias paradisíacas e floresta. E ficamos super felizes! A gente gosta do caos, da mistura e dos barulhos que uma metrópole traz. A gente gosta de ver tudo junto ao mesmo tempo, de pessoas nas ruas, templos, feiras enormes.

Aqui na Ásia a infra-estrutura das cidades sempre nos surpreende. Pra se locomover por lá não faltam opções: você pode andar que as ruas são super interessantes e amigáveis, tem ônibus, tem metrô, tem trem, tem muitos táxis e tuk-tuks, e tem barco – o nosso preferido por ser um sistema público, super prático e barato, aproveitando o rio que cruza a cidade. Então passear por Bangkok é uma delícia e pode ser sempre de um jeito diferente.

Fizemos couchsurfing em um hostel e pela primeira vez dormimos em dormitório, ou seja, muitos beliches e muitas pessoas. Claro que não é sempre uma delícia, principalmente porque dá vontade de ter mais privacidade e porque o banheiro compartilhado não é nunca o melhor amigo de um viajante. Mas a experiência valeu, nessas horas dá pra reforçar a ideia de que viaja sozinho quem quer! Fizemos um monte de amigos, todo dia tinha companhia diferente pra passear. Dividimos muita experiência diferente de quem está na estrada por muito ou pouco tempo.

Andamos por muitas feiras diferentes. Elas estão espalhadas por toda a cidade e as vezes você nem precisa ir atrás. De repente você está numa rua cheia de barraquinhas de roupa, fruta, suco, comida, sapato, eletrônicos, acessórios, costureira, sapateiro, consertos, livros, bugiganga, o que se conseguir imaginar. Uma das feiras que eu adorei foi a das flores. Os tailandeses usam muitas flores naturais todos os dias – especialmente porque as oferendas budistas são cheias delas e são feitas diariamente, as vezes mais de uma ver por dia. Então a feira é linda, colorida e cheirosa.

Templo também é o que não falta, as estimativas são absurdas – dizem que existem mais de 30.000 templos budistas na Tailândia toda e mais de 1.000, pelo menos, na capital. Gostamos muito do Wat Po, um complexo de espaços sagrados na região central. Um lugar super agradável pra passar algumas horas desconectado do caos pra fora dos muros. Ficamos um bom tempo ouvindo os monges recitarem mantras em um dos templos. Uma sensação indescritível.

Alguns mercados flutuantes estão espalhados pela cidade e o maior deles fica há alguns km para o norte. Não fomos nesse porque dizem ser super turístico mas confesso que me arrependi. Tem alguns passeios que de tanta informação e fotos que vemos ficamos com uma expectativa alta e o mercado que escolhemos era tão pequeno que não empolgou tanto quanto imaginei. Mesmo assim a experiência foi legal, é no barco que ficam as cozinhas e não dá pra acreditar no equilíbrio e estômago que os cozinheiros tem.

A Kao San Road é tão maluca quanto mostram os filmes, se você viu ‘Se Beber Não Case 2’ consegue imaginar. Ela funciona 24h por dia, é cheia de bar e estrangeiro bêbado, dá pra comprar sem pudores documentos falsificados, braceletes com frases ridículas, dá pra fazer tatuagem, comprar roupas e lembrancinhas, e ficar zonzo com tantos letreiros e barulho ao redor. Uma experiência tanto curiosa quanto desnecessária.

Bangkok é tanta coisa ao mesmo tempo que dá pra entender porque tanta gente ama e tanta gente não suporta. A gente gostou, pelo menos por um tempinho.

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3 MANEIRAS DE VIAJAR SEM GASTAR COM ACOMODAÇÃO

A gente completou outro dia 47 dias seguidos sem gastar com acomodação!

Isso significa que desde os últimos dias na China, todos os dias na Malásia e até então na Indonésia devemos ter economizado cerca de U$1000. E como isso é incrível pra gente como a gente, que quer viajar muito mas não ficou rico, queremos compartilhar com vocês como temos feito:

 

COUCHSURFING

 

Couchsurfing, ‘surfe de sofá’, é uma rede onde pessoas disponibilizam um espacinho para receber viajantes sem custo nenhum. Tem gente que oferece o sofá na sala, um quarto separado, cama de casal, cama de solteiro, a própria cama pra dividir e até espaço no chão caso você possa levar o seu saco de dormir.

Para fazer parte você se inscreve gratuitamente no site e preenche seu perfil. Você pode querer se hospedar, querer oferecer hospedagem ou fazer as duas coisas, dependendo do momento em que estiver.

A gente adora e recomenda! Além de economizar a gente entra em contato com os locais e com a cidade de uma maneira diferente, sem as fórmulas prontas dos guias de viagem. Você se hospeda em regiões nada óbvias, vai comer as melhores e mais baratas comidas naqueles restaurantes que você nunca encontraria sozinho, participa do dia a dia imerso em uma outra cultura e faz amigos que dá vontade de levar junto.

O ideal é que você entre em contato com uma certa antecedência pra que as pessoas se programem e pra que você possa ter tempo pra se familiarizar com o que te oferecem e ver se encaixa mesmo com o seu perfil. Nem sempre a gente faz isso porque algumas vezes decidimos em cima da hora, mas caso sua viagem seja mais planejada vale a pena.

 

TRABALHO VOLUNTÁRIO

 

Vários sites oferecem esse tipo de serviço de maneira bem simples. Os mais famosos são o WorkAway, que é o que a gente usa, o WWOOF, o WorldPackers e o HelpX. Mas você pode até entrar em contato com os lugares diretamente, tem muita ONG com o próprio programa de voluntariado. O mais bacana desses sites é que eles custam muito pouco, diferente dos esquemas de agência de turismo, por exemplo.

Os trabalhos variam muito muito! Dá pra dar aula de inglês, ser recepcionista em hostel, limpar jaula de elefante, entreter crianças, passar o dia conversando com velhinhos, tirar fotos, traduzir textos, cuidar dos gatos, construir banheiro, pintar parede. E em todos os lugares imagináveis, desde as mais frenéticas cidades até os mais desertos paraísos. Não é exagero, a diversidade é enorme.

Você preenche seu perfil, o quanto mais detalhado e sincero melhor, e entra em contato com onde pretende trabalhar e espera. O mínimo que eles oferecem, normalmente, é acomodação. Mas a gente já ficou em lugares que dão café da manhã e uma ajuda em dinheiro por dia trabalhado, tem outros que dão todas as refeições, transporte, roupa lavada. Vale pesquisar bem e sempre analisar com calma cada proposta e, principalmente, os comentários. O ideal é escolher aquilo que combina com o seu perfil e que permita um tempo livre, assim dá pra aproveitar a viagem.

 

VIAGEM A NOITE

 

Essa recomendação é um pouco contraditória mas não deixa de ser uma opção. Na China fizemos isso algumas vezes, já que as distâncias são enormes, mas não foi super agradável. Nem sempre o transporte é confortável. Passamos 14 horas dentro de um trem com um assento tão duro e apertado que praticamente passamos a noite em claro.

O ideal é que a viagem seja longa o suficiente pra que você consiga descansar e tenha o mínimo de conforto. É péssimo passar um dia da viagem cansado, sem energias suficiente pra aproveitar o lugar. Então se você tem poucos dias na viagem vale repensar. Numa viagem mais longa dá tempo de recuperar as energias, já que os dias tem um ritmo diferente.

O mais legal é que essas opções têm em comum um tempo diferente do que uma simples passagem pelos lugares. O que mais temos aproveitado dessas experiências é o contato com as pessoas e com a cultura local. E a economia é certa, a gente garante.


Se você tem mais ideias ou dicas pra viajar mais barato conta pra gente.

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A MISTURINHA DE KUALA LUMPUR (17/09/15 – 23/09/15)

A Malásia não estava no nossos planos. Como a China nos negou o visto sem passagem de saída tivemos que encontrar um vôo que comprovasse nossa saída do país e Kuala Lumpur foi o mais barato que encontramos. A gente tinha certeza que seria só uma passagem. A ideia era ir em direção norte, até encontrar a Tailândia. No fim das contas hoje a gente prevê que vai ficar pelo menos um mês por aqui.

Na Malásia todo jovem, e muito adulto ou velhinho, fala inglês. Eles dizem que são tão pequenos no mundo que se não souberem falar inglês vão estar sozinhos então desde a escola falar inglês é obrigatório. Isso já resolveu nosso problema de comunicação, depois de um mês na China com conversas eventuais, já que não encontramos tantos chineses com quem conseguíssemos conversar, aqui dá pra puxar assunto com qualquer vendedor ou quem senta do nosso lado no metrô.

A mistura cultural é óbvia. O país é composto de Malaios, Chineses, Indianos e minorias étnicas, basicamente. Pra gente ainda é estranho compreender a separação que eles fazem já que eles se enxergam como povos diferentes dividindo um mesmo país. Não é igual no Brasil que todo mundo tem avós e bisavós que vem de lugares diferentes do mundo mas a gente ainda se vê como brasileiro. Aqui as tradições, os restaurantes e até as escolas são separados. Então eles acabam se segregando um dos outros. Tivemos boas experiências podendo experimentar um pouco de cada dos mundos.

A comida é incrível. Ainda podemos aproveitar um pouquinho da comida chinesa mas o que a gente ama mesmo é a comida indiana. E por menos de RM5 (dá pra considerar hoje a cotação RM1 = R$1) você almoça bem feliz.

Em Kuala Lumpur ficamos no apartamento do Jordan, que encontramos no couchsurfing. No meio de muitos perfis com mais de cem recomendações positivas acabando gostando dele e fomos os primeiros a se hospedar lá. A princípio ficaríamos duas ou três noites mas elas foram se esticando. Fizemos amigos muito bacanas, estávamos num condomínio com piscina e academia, encontramos cerveja e comida barata perto da gente. Não tinha como ir embora tão cedo.

A cidade não é cheia de atrações turísticas e, apesar de contar com um trem fácil que leva pra pontos importantes, tivemos a impressão de que sem carro não se vai muito longe. Numa tentativa furada de se perder pelos bairros chineses e indianos da cidade andamos por viadutos e vias rápidas nada amigáveis para quem está a pé. Mas sempre encontramos algumas coisas para fazer e não tem como não se impressionar com as Petronas Twin Towers, os prédios gêmeos da companhia de petróleo e gás, dois dos mais altos do mundo.

A maioria da população é muçulmana mas não é difícil ver templos budistas e hindus e até igrejas. Muitas mesquitas estão espalhadas pela cidade e o Museu das Artes Islâmicas é lindo e super informativo, desses lugares que podemos ficar horas sem ver o tempo passar. Convivendo com eles a gente compreende melhor o porque das mulheres estarem cobertas, porque eles não bebem ou não comem carne de porco, por exemplo. Um mundo de tradições muito diferente do nosso.

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NANJING, OH NANJING (16/08/15 – 18/08/15)

Nanjing, ou pra gente Nanquim, foi dessas agradáveis surpresas. A gente não tinha tanta expectativa da cidade, fomos principalmente por causa do Museu do Massacre de 1937 e adoramos. A cidade é bastante moderna mas é bem diferente de Shanghai. Parece que foi ali que começamos a sentir mais que estávamos na China.

Foi também nossa primeira experiência com o Coushsurfing. Ficamos na casa da Lisa, uma chinesa que fez faculdade em Inglês, trabalha com importação e tem o sonho de ir morar na Austrália para continuar estudando e trabalhar lá. Com ela mora o William um policial que treina cachorros e morre de vontade de conhecer a França. Foi muito bom! Fazer parte do dia a dia deles, conversar sobre as diferenças e das igualdades dos nossos mundos foi com certeza o que nos fez gostar ainda mais de estar lá.

Um passeio bem gostoso foi andar pelo parque onde fica a montanha roxa (dizem que no começo e no fim do dia ela fica com essa cor) e o mausoléu de Sun Yat-sen, um revolucionário que ajudou a derrubar a última dinastia imperial chinesa, a dinastia Qing em 1911. No caminho vários templos e paisagens podem ser visitados se você desviar do caminho principal. Como era segunda-feira não conseguimos ver tudo e ao fim do dia não acreditamos no quanto andamos.

No próximo post a gente conta um pouco mais sobre a história do Massacre e da nossa visita no museu.

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