‘ANIMAIS NOTURNOS’ | FILME DA SEMANA

A minha recomendação dessa semana é ‘Animais Noturnos’ (Nocturnal Animals) que tem direção e roteiro de Tom Ford (bonitão, estilista, diretor, roteirista e produtor provando pra gente que dá sim pra querer ser muita coisa nessa vida). Um Drama/Thriller que apresenta três histórias num ritmo bastante tenso e de forma super competente, já que a gente nunca se perde nesses saltos. Acompanhamos Susan (Amy Adams) no presente quando recebe um rascunho o livro ‘Animais Noturnos’ escrito pelo seu ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal), a história contada neste livro e alguns flashbacks do seu passado com ele.

O filme trata de assuntos como a produção e frustração em processos de artistas, de solidão, do passado visto do ponto de vista do presente, de relacionamentos amorosos e familiares. Fala da projeção sobre as nossas memórias e os questionamentos das nossas escolhas. Parece muito assunto – e pensando agora eu acho que é ainda sobre muito mais – mas a montagem é dinâmica e, como as três narrativas são super interessantes, tudo flui de uma maneira muito envolvente.

A Direção de Fotografia ajuda a contar a história deixando os ambientes com luzes pontuais, quase sempre escuros, e os personagens enquadrados muitas vezes distantes e solitários. E por fim, mas não menos importante a Direção de Arte – Cenário e Figurino – que está incrível. O que chama a atenção é que em cada uma das três porções o conjunto acompanha o clima e o tema das três narrativas. Seja no passado mais nostálgico, no presente glamuroso e rico mas muito vazio e frio e a história do livro com um clima empoeirado, sujo.

Acredito que o que seja bastante dolorido (e onde a gente se reconhece nos personagens) é na angústia do presente sobre as decisões e caminhos do passado e como a gente se sente responsável não só pelo quanto nossas escolhas influenciam na nossa própria vida mas na vida das pessoas ao nosso redor.

Já assistiu? Gostou? Me conta que eu adoro conversar.

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DOMINGO AZUL

Domingo, aqui em casa, é o dia em que a gente acorda sem despertador e, as vezes, não arruma a cama. No primeiro domingo na nossa casa, ainda em Curitiba, o Dan me disse: ‘Domingo não é dia de arrumar a cama’. Eu achei a regra bonita e assim foi. Hoje a gente até arrumou, eu fiz um super café da manhã: ovos, panqueca, mingau de aveia, frutinhas cortadas e suco natural. O dia tava bonito e o sol entrou no nosso quarto junto com a preguiça.

E domingo é, também, nosso dia de passeio. Eu me adapto rápido às coisas, aos lugares, às pessoas, às novidades então acho bom ter um dia, pelo menos, em que a gente saia pra conhecer algum lugar novo aqui no Porto ou nas cidades ao redor.

Hoje foi o Jardim do Palácio de Cristal, um lugar super lindo pertinho de casa que eu ainda não tinha ido. O Palácio é uma construção grande, circular com uma abóboda enorme e ao redor vários jardins românticos, com muitas flores e algumas estátuas. Cheio de criança brincando com os patos perto do lado, casais nos bancos, amigos deitados no sol.

Passar uma tarde sem hora pra voltar, aproveitando o sol, conversando e tirando fotos. Pra mim uma maneira super deliciosa pra terminar a semana que tá acabando e começar segunda-feira mais animada…

 

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OI, VOLTEI

 

Já faz tempo que ensaio voltar a escrever e postar fotos por aqui. Mas a procrastinação fala mais alto e um monte de coisas eram mais importantes no momento. A verdade é que eu acredito que se tem algumas vontades que ficam reaparecendo é melhor deixar acontecer e colocar em prática os planos que ficam só nas ideias.

Mas o Pelas Nuvens volta diferente. O blog já não é mais sobre a viagem de Volta ao Mundo (até porque ela já acabou) e já volta sem o Danilo – que no fundo nem tem muita vontade de se comunicar por aqui. Voltei sozinha e com vontade de falar sobre tudo um pouco. Não tem como não falar sobre viagens, afinal são elas que movimentam – em todos os sentidos – meus planos e rumos. Mas também quero compartilhar coisas bonitas, um pouco mais da minha vida e das pequenas coisas que me inspiram.

Depois da viagem voltei a morar em Curitiba por uns meses mas a vontade de experimentar outro lugar falou mais forte de novo e escolhi pra chamar de casa o Porto, em Portugal, essa cidade fofa cheia de lugares pra descobrir.

Não sei bem onde quero chegar mas voltei com vontade de compartilhar e mostrar um pouquinho mais das coisas que me fazem sorrir. Eu espero que você goste e compartilhe também o que te faz bem. Então senta, pega um chá, um café, apareça aqui de vez em quando e vamos conversar.

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SOBRE ESTAR ABERTO A SURPRESAS

Antes dessa viagem, especialmente em viagens curtas, eu sempre fiz mapas e roteiros. Organizava o que queria ver e fazer pelas regiões de cada cidade, assim os passeios faziam mais sentidos e não deixava quase nada pra trás. Claro que sempre tinha espaço pro desconhecido, pros passeios sem rumo. Mas a minha lógica era que estando pouco tempo num lugar que tem muito pra me oferecer eu precisava ser certeira e eficiente. Tenho essa mania de organização e nas viagens não tinha porque ser diferente.

Assim que a começamos a viajar juntos temos um ritmo diferente. Sem pressa a gente descobre os melhores lugares da maneira que a gente mais gosta, que mais tem a ver com a gente. Desde o começo planejamos muito pouco, mas muito pouco mesmo. Não ficamos procurando as melhores épocas para estar em cada lugar, as vezes fazemos caminho que não fazem tanto sentido e é difícil quando temos certeza do nosso próximo destino.

Alguns vão dizer que planejamento é fator decisivo pra uma viagem como essas. Pra gente, não é. Então funciona assim também. Hoje a gente não vasculha tudo sobre o próximo destino, nem muitas fotos mais a gente vê da próxima cidade.

A verdade é que isso não é uma maravilha. Sabemos que as vezes pagamos passagens de avião mais caras do que deveríamos ou que não vamos conseguir ninguém no couchsurfing pra nos hospedar amanhã. Mas a gente tem se divertido com a sorte / acaso / coincidência.

Chegamos em Luang Prabang, cidade do Laos, faz dois dias. A vinda foi difícil, foram muitas horas num micro-ônibus a 30km/h, onde nem as minhas pernas cabiam de tão apertado. A estrada não tem asfalto e a quantidade de curvas se aproxima ao infinito. Quando chegamos, sem lugar pra ficar porque as vezes nem isso a gente planeja, encontramos pousadas cheias e hotéis caros. Demorou encontrar um lugar que a gente pudesse pagar e, como já era tarde, tomamos banho gelado porque ninguém mais conseguia nos ajudar.

Poderia ser uma tragédia se não fosse a comemoração de 20 anos que a cidade foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Então chegamos numa cidadezinha super bonita e que parece que parou no tempo cheia de coisas pra fazer. Desde que estamos aqui já vimos vários filmes produzidos no sudeste asiático, já fui numa conversa com um americano que tem um projeto fotográfico com cinemas de rua super parecido com minhas pesquisas, já fomos em workshop de produção cinematográfica e em algumas performances sem graça. Amanhã nos esperam 20 elefantes que acabaram de chegar de uma caravana pra preservação da espécie. E nada disso estava nos nossos planos.

Deixar de pesquisar sobre todos os detalhes do próximo destino, além de me deixar mais relaxada, me faz encontrar o desconhecido, me faz ver pela primeira vez os lugares que visito. Pode ser uma cidadezinha nova perto de onde você está, um restaurante que um local diz pra você ir ou a comida que ele sugere você comer, pode ser aquela fruta que você não faz ideia do que é, aquela portinha que você ficou curioso e entrou. Deixar espaço para as surpresas durante uma viagem pode sempre trazer experiências divertidas.

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A NOSSA VOLTA AO MUNDO

Uma coisa legal sobre viagens é que elas não têm regra nenhuma. Talvez o que voltas ao mundo têm em comum, normalmente porque nem isso é uma regra, é que elas duram mais do que férias convencionais.

Se você procurar rapidinho ‘viagens de longa duração’ vai encontrar um monte delas: tem sozinho, tem de casal, tem a família toda, tem gente que vai de carro, de bicicleta, de cadeira de rodas, de barco, de van, tem quem acampa, quem faz voluntariado, quem trabalha enquanto viaja, ou estuda, tem gente que casa no caminho, que tem até filho na estrada, e assim vai.

A nossa volta ao mundo não é dessas super planejadas. a gente não tinha um roteiro, não passamos muito tempo guardando dinheiro e nem tínhamos um objetivo muito definido. Resolvemos um dia que a gente ia e desse momento até pegar o avião o tempo foi curto, foram menos de 3 meses.

Tínhamos algumas vontades, uns países que queríamos visitar, e um orçamento apertado. A Ásia foi nosso ponto de partida principalmente porque os países são baratos e os dois, que já tínhamos estado lá, queríamos muito voltar. A partir disso procuramos passagens e acabamos encontrando uma muito barata pra China numa data que fazia muito sentido.

O que a gente já adorou é que pra chegar em Shanghai tínhamos uma escala no México e dali iríamos pelo Oceano Pacifico. Então, não importava o caminho que fizéssemos pra voltar ao brasil, a volta ao mundo já estava garantida.

Com o tempo viajando fomos percebendo que a gente gosta de viajar devagar. não gostamos de ter dias super cheios e planejados, não queremos correr só pra visitar mais países. Fomos percebendo que conhecer pessoas e fazer amigos é a coisa mais bonita do caminho, nossas cidades preferidas e experiências mais legais normalmente têm a ver com o quanto nos relacionamos nela. Vimos que ter tempo é um privilégio e que o ritmo lento de vida dos asiáticos é inspirador. E descobrimos que tendo esse tempo a gente pode se descobrir melhor.

A gente também acreditava lá no começo, e só reforçamos essa ideia, de que uma viagem longa não é pra todo mundo. Não é uma vontade que todo mundo tem. Não é um estilo de vida que todo mundo quer. Tem gente que prefere a estabilidade, tem gente que gosta disso por um tempo e tem gente que vive assim por muitos anos. Pra gente tem sido incrível. Nos sentimos extremamente felizes e muito realizados de poder ver o mundo dessa forma. E fazemos questão de verificar isso sempre: ‘Tá feliz?! Tá aproveitando? Então tá bom!’.

Vamos vendo que hoje vivemos com pouco – com bem menos do que enquanto estávamos em Curitiba. Hoje temos menos roupas – menos maquiagem e cremes -, menos dinheiro e menos conforto também. Mas vivemos mais histórias e descobrimos mais coisas, e isso tem sido muito maior.

A gente não tinha muitos planos e continuamos não tendo mas, enquanto a viagem estiver fazendo sentido, estamos completamente felizes.

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