DIETA BASEADA EM OVOS MOLES EM AVEIRO

Numa semana de sorte alguns amigos estavam aqui no Porto ao mesmo tempo e conseguimos ir a Aveiro, uma cidade do centro de Portugal que fica 1h30 de trem/comboio daqui. Foi um dia bonito, de céu azul e muito vento mas daqueles que passam tão suaves que quando a gente viu já era hora de voltar. Eu estava feliz de juntar tanta gente querida e passar um dia tão feliz como esse, andamos juntos mesmo sabendo que os caminhos não precisavam ser os mesmos e eu fui matando algumas saudades e conhecendo gente nova querida.


Pra melhorar um pouco mais a amiga de uma amiga mora lá então tivemos uma guia pessoal que nos levou nos cantinhos preferidos. Ela faz essas maçãs mais deliciosas que já experimentei, mesmo, então se tiver por aqui não perde tempo e manda uma mensagem pra Denise! Eu adoro caminhar sem rumo em um lugar novo mas conhecer uma cidade pelos olhos de quem gosta e sabe onde ir também é uma delícia, conhecer os cantinhos mais escondidos, comer em algum lugar especial.

Essa é a cidade dos ovos moles, um doce – claro – feito de ovos envoltos em uma óstia, que são tão deliciosos que foi basicamente o que comemos o dia todo. Passamos em várias pastelarias – aqui pastel é o que no Brasil é doce – com a desculpa de descobrir qual era o melhor e eu nem sei se chegamos a essa conclusão. É também conhecida por ser a ‘Veneza Portuguesa’ por causa dos canais e seus barquinhos. Comprei a flor de sal que é tirada ali pertinho das salinas e agora é uma lembrança salgadinha de lá. Vimos duas meninas tocando pelas ruas, duas senhorinhas brigando em um mercado de peixe e várias pessoas passeando de bicicleta.




Nosso passeio até a praia não foi lá o mais agradável já que o vento fez com que nosso almoço tivesse uma farofinha natural mas o humor era tão bom que isso não foi motivo pra estragar momento algum. Paramos num bar bonito, com cadeiras listradas pra combinar com as casinhas, areia no chão, no prato e nos cabelos. Ficar perto do mar sempre me enche de alegria e mesmo tendo que sair correndo foi uma pausa gostosa.

E, por fim, chegamos onde eu mais queria chegar. Conhecer essas casas listradas e fofinhas, todas fazendo me sentir num cenário pronto que eu mesma podia ter projetado, era uma das paisagens que eu queria ter de Portugal. E não tem nada melhor do que realizar essas pequenas vontades e ir guardando na memória e nas fotos esses cartões postais, lugares que eu coleciono pra embrar sempre que é uma delícia descobrir mais desse país que hoje é a minha casa.


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VEM, 2016

Passamos nossa virada de ano em Ho Chi Minh, no Vietnã. Achamos que a cidade nem estaria muito animada mas foi ótimo, as ruas estavam cheias e muitos fogos de artifício coloriram o céu meia noite. Depois ainda entramos de penetra numa festa chiquérrima, com direito a champanhe e cerveja a noite toda e uma banda incrível que nos adorou e ganhou até presente da gente.

Tem coisa melhor do que começar um novo ano assim?

Um 2016 incrível pra todo mundo. Cheio de descobertas e sonhos realizados.

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OS SORRISOS EM SIEM REAP

Siem Reap é muito visitada e conhecida por ser a cidade base de visita pro complexo de templo Angkor. Passamos, pra variar, mais tempo do que imaginamos por lá, mas não tinha como ser diferente numa cidade que nos encontrou com os mais abertos sorrisos.

O passeio nos templos é cansativo, vamos contar só sobre eles num outro post. Se você tem tempo é bacana pegar o ticket de pelo menos três dias pra ver com calma e visitar mais ruínas, elas são muitas e é difícil escolher as mais bonitas. Pode ser ainda mais exaustivo se você fizer como a gente e ao invés de ir de tuktuk for de bicicleta. Pedalamos, pelo menos, 40km por dia mas valeu a pena, aproveitamos pra intercalar com dias tranquilos na cidade.

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Várias feiras e ruas só pra pedestres – sempre considere bicicleta e motos pedestres no Sudeste Asiático – ficam abertas até tarde da noite, uma se unindo com a outra fazendo com que o centro de Siem Reap pareça uma grande feira noturna. Comemos comidas deliciosas nas barracas de rua mais movimentadas – a beringela assada com alho foi pedida duas vezes e será repetida nos churrascos na casa do meu pai – e pra quem quer comprar lembrancinhas é um ótimo lugar pra pechinchar e encontrar coisas bem diferentes. Se você caminha em ruas próximas encontra bonitas lojas com produtos artesanais mais únicos e muita arte local. Uma iniciativa que eu gostei bastante é a Angkor Recycled que produz bolsas a partir de embalagens usadas, especialmente de construção civil e produtos agrícolas. Quem fabrica são os locais que normalmente vivem em condições super pobres e ajudam a diminuir o lixo do país, que é também um enorme problema.  

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A cidade é cheia de bonitas iniciativas para ajudar o povo local e relembrar a triste história do Camboja. Tem museus dedicados às minas terrestres abandonadas depois da guerra civil e massacre do Khmer Rouge, tem concerto clássico onde as doações são direcionadas às crianças carentes, tem restaurante que ajuda os jovens a ter esperança profissional. É comum encontrar crianças vendendo livros na rua e pessoas que perderam algum membro ou que foram severamente feridas vendendo alguma coisa. Uma cidade pra te encher de esperança e te emocionar muitas vezes.

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Siem Reap nos emocionou, fomos recebidos por muitos sorrisos e pessoas que tinham alguma coisa pra contar, ou só queriam dar um oi. A gente sabe que vai se lembrar muito de lá por causa das pessoas, dos templos, das andanças na cidade, da minha desatrapalhada pisada num palito que me levou ao hospital e da incrível estreia do Star Wars XVII.

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PELAS RUAS DE BANGKOK

Demoramos 3 meses pra chegar à cidade que começaríamos a viagem. Dia 10 de novembro pousamos em Bangkok, capital da Tailândia e uma das mais importantes e malucas cidades do sudeste asiático. A gente vinha de uma temporada de cidades mais pequenas e tranquilas, praias paradisíacas e floresta. E ficamos super felizes! A gente gosta do caos, da mistura e dos barulhos que uma metrópole traz. A gente gosta de ver tudo junto ao mesmo tempo, de pessoas nas ruas, templos, feiras enormes.

Aqui na Ásia a infra-estrutura das cidades sempre nos surpreende. Pra se locomover por lá não faltam opções: você pode andar que as ruas são super interessantes e amigáveis, tem ônibus, tem metrô, tem trem, tem muitos táxis e tuk-tuks, e tem barco – o nosso preferido por ser um sistema público, super prático e barato, aproveitando o rio que cruza a cidade. Então passear por Bangkok é uma delícia e pode ser sempre de um jeito diferente.

Fizemos couchsurfing em um hostel e pela primeira vez dormimos em dormitório, ou seja, muitos beliches e muitas pessoas. Claro que não é sempre uma delícia, principalmente porque dá vontade de ter mais privacidade e porque o banheiro compartilhado não é nunca o melhor amigo de um viajante. Mas a experiência valeu, nessas horas dá pra reforçar a ideia de que viaja sozinho quem quer! Fizemos um monte de amigos, todo dia tinha companhia diferente pra passear. Dividimos muita experiência diferente de quem está na estrada por muito ou pouco tempo.

Andamos por muitas feiras diferentes. Elas estão espalhadas por toda a cidade e as vezes você nem precisa ir atrás. De repente você está numa rua cheia de barraquinhas de roupa, fruta, suco, comida, sapato, eletrônicos, acessórios, costureira, sapateiro, consertos, livros, bugiganga, o que se conseguir imaginar. Uma das feiras que eu adorei foi a das flores. Os tailandeses usam muitas flores naturais todos os dias – especialmente porque as oferendas budistas são cheias delas e são feitas diariamente, as vezes mais de uma ver por dia. Então a feira é linda, colorida e cheirosa.

Templo também é o que não falta, as estimativas são absurdas – dizem que existem mais de 30.000 templos budistas na Tailândia toda e mais de 1.000, pelo menos, na capital. Gostamos muito do Wat Po, um complexo de espaços sagrados na região central. Um lugar super agradável pra passar algumas horas desconectado do caos pra fora dos muros. Ficamos um bom tempo ouvindo os monges recitarem mantras em um dos templos. Uma sensação indescritível.

Alguns mercados flutuantes estão espalhados pela cidade e o maior deles fica há alguns km para o norte. Não fomos nesse porque dizem ser super turístico mas confesso que me arrependi. Tem alguns passeios que de tanta informação e fotos que vemos ficamos com uma expectativa alta e o mercado que escolhemos era tão pequeno que não empolgou tanto quanto imaginei. Mesmo assim a experiência foi legal, é no barco que ficam as cozinhas e não dá pra acreditar no equilíbrio e estômago que os cozinheiros tem.

A Kao San Road é tão maluca quanto mostram os filmes, se você viu ‘Se Beber Não Case 2’ consegue imaginar. Ela funciona 24h por dia, é cheia de bar e estrangeiro bêbado, dá pra comprar sem pudores documentos falsificados, braceletes com frases ridículas, dá pra fazer tatuagem, comprar roupas e lembrancinhas, e ficar zonzo com tantos letreiros e barulho ao redor. Uma experiência tanto curiosa quanto desnecessária.

Bangkok é tanta coisa ao mesmo tempo que dá pra entender porque tanta gente ama e tanta gente não suporta. A gente gostou, pelo menos por um tempinho.

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15 COISAS PRA SE FAZER EM BEIJING

Beijing entrou rapidinho pra uma das cidades que mais adoramos. E não tinha como ser diferente já que ela reúne várias coisas que a gente adora: carrega muita história e ao mesmo tempo é bastante moderna, tem muita coisa pra fazer mas é cheia de lugares pra relaxar e esquecer da metrópole congestionada ao redor, é cheia de pessoas receptivas e coisas diferentes para todo lugar que você olha.

A gente tentou deixar a lista menor mas era tanta coisas que escolhemos quinze coisas que mais adoramos fazer e recomendamos que você encontre um tempinho quando tiver por lá:

ANDAR SEM RUMO PELOS HUTONGS

Os hutongs são ruas estreitas que começaram a surgir 1000 A.C na área central da cidade. Até hoje a maior parte das construções são residenciais mas ali também ficam hostels, restaurantes, mercados e lojas. É triste ver que muitos estão sendo demolidos para dar espaço para grandes construções ou ruas mais largas, mas ainda é possível encontrar várias vielas dessas pela cidade.

Andar por eles sem saber muito bem onde vai chegar é com certeza um passeio cheio de surpresas e uma maneira de entrar em contato com a história da China e da vida dos chineses que moram por ali. Os muros de tijolo cinza, os pátios internos das casas, as pessoas cozinhando, andando, conversando com os vizinhos, tudo tão apertadinho deixa a gente com a impressão de que está num vilarejo e não numa cidade tão enorme.

SE PERDER NA CIDADE PROIBIDA

A cidade proibida foi o Palácio Imperial da China, começou a ser construída no início do século XV, e é o maior palácio do mundo. Uma cidade real dentro da capital destinada para o Imperador. Apenas sua família e alguns empregados tinham permissão de estar ali, por isso era dita proibida.

A gente passou praticamente o dia todo andando por lá. O caminho principal é feito do sul, desde a Praça da Paz Celestial, até o norte, onde fica o Parque Jingshan que tem uma linda vista do complexo, pelos palácios e espaços mais importantes e nas laterais várias construções que serviam de suporte.

VIRAR CRITICO DE ARTE NO DISTRITO  DE ARTE 978

Até os anos 50 a região era uma concentração de fábricas militares. Elas foram fechando com o tempo e os grandes galpões abandonados hoje acolhem escolas de arte, galerias, empresas, lojas e cafés. Uma área cheia de atividades diferentes pra fazer. São tantas espaços que não tem como não encontrar alguma coisa que faça sentido pra você. A gente recomenda que você escolha algumas pra entrar e apreciar arte contemporânea.

PASSAR HORAS CAMINHANDO NA MURALHA DA CHINA

A gente já falou sobre esse passeio aqui. Faz parte daqueles passeios emocionantes e inacreditáveis que desde pequeno muita gente sonha em fazer.

APERTAR TODAS AS CRIANÇAS

Não dá pra resistir. As crianças chinesas são sempre bonitinhas e queridas, dá vontade de apertar todas elas e a gente recomenda que você aperte todas as que conseguir.

TER LONGAS CONVERSAS EM CHINES, MESMO SEM FALAR UMA PALAVRA

O povo chinês é muito acolhedor. Não falamos a mesma língua, nossa cultura é muito diferente e a gente pouco sabe da história deles mas a empatia é quase que imediata. Conversamos muito com eles sem trocar uma só palavra na mesma língua e mesmo assim tinhamos a sensação de que tivemos um ótimo encontro.

VER OS VELHINHOS JOGANDO MAJONG NAS RUAS

O tempo na China passa de uma maneira diferente, mesmo no meio de tanta confusão sempre existem velhinhos com tempo disponível para mostrar pra gente que a vida com calma é muito mais bonita.

CONHECER OS QUATRO CANTOS DA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL

A Praça da Paz Celestial é a terceira maior praça do mundo, foi nela que ocorreu o famoso massacre contra os estudantes chineses, apesar de não haver nenhuma menção ao fato no local. Fica lá o Mausoléu com o corpo do Mao TséTung embalsamado, o monumento dos heróis e ao redor enormes construções como o Museu Nacional e a Cidade Proibida. Cada canto dela vale a pena, as construções são realmente impressionantes.

ESCOLHER UM PARQUE PRA PASSAR O DIA

Não faltam opções na hora de escolher um parque em Beijing. Pode ser o Palácio de Verão, o Templo do Céu – nosso preferido, ou que estiver no seu caminho. O interessante é que em todos eles você encontra um palácio importante, um templo antigo ou uma construção bonita. E, acredite, você nunca estará sozinho. A população de Pequim aproveita de verdade as praças e parques, pra conversar, tocar instrumentos ou praticar uma atividade física.

COMER UM BOM PATO DE PEQUIM

O prato mais famosos da cidade é também o preferido de muita gente. O pato é cortado em fatias bem finas e servido com um molho agridoce, legumes e uma espécie de panqueca de arroz. Pra comer acompanhado de chá verde ou água quente, claro.

ENTRAR E COMER NUM RESTAURANTE SEM MENU INGLES OU FOTO

Comer é sempre um desafio na China e a gente acaba se acostumando com os restaurantes que têm foto ou uma tentativa de tradução em inglês. Mesmo sem ter muita certeza a gente vê uma foto que gosta, aponta e tudo certo.

O desafio mesmo é entrar em restaurantes mais locais e conseguir pedir um prato. Uma aventura que pode dar muito certo ou muito errado! A gente te deseja boa sorte.

ESCOLHER UM TEMPLO PRA ACENDER INCENSOS

A devoção dos chineses está em todo canto nos templos espalhados pela cidade. A gente adora apreciar a religião e as cerimônias locais então sempre que podemos acendemos os três incensos para Buda.

JOGAR PETECA COM UM GRUPO DE CHINESES

É muito comum ver chineses se exercitando e o que a gente mais gostava de ver eram eles jogando peteca com os pés. A habilidade deles é incrível e mesmo sendo brasileiro com alguma prática na embaixadinha acho que eles saem ganhando.

FAZER AMIGOS QUE TE LEVEM COMER

Fizemos um grupo de amigos super incrível no apartamento que estávamos. Tinha chineses de vários lugares e não tem indicação melhor pra comer do que um local. Além de serem extremamente generosos e nunca deixarem a gente pagar, mesmo quando era esse o combinado, foi com eles que comemos os melhores pratos. O ideal é confiar e não ficar querendo entender muito o que se está comendo. Ah, e estar disposto pra aguentar a pimenta.

TOMAR TODAS COM UM GRUPO DE CHINESES

Ter feito amigos chineses foi incrível. A noite fica ainda mais divertida porque eles mal aguentam bebida alcoólica e com um pouquinho de cerveja eles já estão vermelhos e deixam a timidez pra trás.

E você, já fez outra coisa imperdível por lá ou morre de vontade de fazer quando for?

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TRABALHANDO PARA OS ORANGUTANGOS EM BORNEO (29/09/15 – 19/10/15)

Antes de resolver qualquer coisa da nossa volta ao mundo a gente se inscreveu no WorkAway. Como casal a gente pagou 32 dólares (que valiam menos que barra de ouro no começo do ano) para ter um perfil durante dois anos. O site permite que você entre em contato com organizações e pessoas do mundo todo que oferecem trabalho em troca de facilidades, pode ser hospedagem, alimentação, transporte e até um pouco de dinheiro às vezes.

Foi lá que a gente encontrou o Monkeebar, e foi por isso que resolvemos vir pra parte da Malásia que fica na ilha de Bornéu. O bar fica na cidade de Kuching e é um dos mais frequentados na cidade. Metade dos lucros do vai para o Orangutan Project, um projeto de conservação animal nas florestas tropicais da ilha.

Antes de mais nada do que a gente gostou é que o projeto é sério de verdade. Nos santuários os voluntários ou turistas não podem pegar os macacos no colo ou colocar qualquer outro animal em situação de turismo irresponsável. São vários animais resgatados, tem macacos, ursos, pássaros, cobras, crocodilos e animais que a gente nunca tinha visto antes, e a idéia é que eles possam retornar ao ambiente selvagem. Infelizmente com a maioria deles isso não vai acontecer, já que eles foram sempre acostumados aos humanos ou são muito cobiçados por caçadores e moradores da região. Hoje parte do que o projeto arrecada é destinada para solucionar – ou minimizar – o problema inicial comprando áreas de floresta, por exemplo.

Depois que nosso trabalho tem sido super divertido. Trabalhamos num bar super animado e as pessoas que conhecemos aqui fazem parte de uma grande família. Parece clichê, né? Mas como todo mundo trabalha e mora junto não tem como ser diferente, o clima é super tranquilo e todo mundo se conhece por um bem comum. Temos só mais uns dias aqui e já estamos tristes de ir embora.

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